Embora o Estado Novo fosse um regime ditatorial simpático ao modelo fascista dos países do Eixo, o Brasil participou da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ao lado dos Aliados. Os ataques a navios brasileiros no Atlântico foram o principal motivo para a entrada do país no conflito. Entre 1941 e 1944, embarcações da Marinha mercante foram atacadas, causando mais de mil mortes.
A atuação brasileira no Atlântico incluiu operações conjuntas de patrulhamento e guerra antissubmarina com os Estados Unidos, além da instalação de bases aeronavais no Nordeste. O país também perdeu navios mercantes e uma embarcação de guerra. A seguir, os principais pontos da participação brasileira no mar.
Por que o Brasil entrou na guerra?
Em fevereiro de 1942, submarinos alemães e italianos começaram a torpedear embarcações brasileiras no Atlântico. Os ataques ocorreram depois de o Brasil romper relações diplomáticas com o Eixo, em 28 de janeiro de 1942, e aderir aos compromissos da Carta do Atlântico, que previa o alinhamento com países do continente americano atacados por uma potência de fora da região. Com isso, a neutralidade brasileira se tornou apenas teórica.
As relações com Alemanha e Itália já enfrentavam tensões, enquanto a pressão naval britânica dificultava o comércio com esses países. A política de boa vizinhança do presidente Franklin Delano Roosevelt também aproximou o Brasil dos Estados Unidos; entre os incentivos econômicos, houve financiamento para a Companhia Siderúrgica Nacional. Em agosto de 1942, após uma série de ataques a navios, o governo brasileiro declarou guerra à Alemanha e à Itália. A declaração ocorreu em 21 de agosto.
Como os ataques se espalharam pelo litoral?
Os torpedeamentos se deslocaram por diferentes áreas do Atlântico:
- Os primeiros ataques ocorreram na costa leste dos Estados Unidos.
- Depois, atingiram o Caribe e a porção atlântica adjacente.
- Em seguida, chegaram ao litoral do Nordeste brasileiro, sobretudo entre Recife e Salvador.
- Em agosto de 1942, seis navios foram afundados em apenas dois dias, e mais de 600 pessoas morreram.
Em 1943, operações conjuntas brasileiras e norte-americanas melhoraram o patrulhamento e a guerra antissubmarina. Ainda assim, submarinos do Eixo continuaram atacando no Atlântico Sul, e navios foram afundados nas costas de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os detalhes das rotas e das unidades empregadas nas patrulhas não são especificados.
Ao todo, 35 navios brasileiros foram atacados e 32 afundaram em águas do Atlântico — incluindo o Mediterrâneo — e do Índico. A maioria era de embarcações mercantes ou mistas, de carga e passageiros, pertencentes a companhias como o Lloyd Brasileiro, o Lloyd Nacional e a Costeira. O Lloyd Brasileiro teve 21 embarcações atacadas, das quais 19 foram afundadas. Pequenos armadores e pescadores também foram atingidos, entre eles a barcaça Jacira e o pesqueiro Shangri-lá.
Qual foi o papel das bases no Nordeste?
A extremidade brasileira ficava no Saliente do Nordeste, região mais próxima do continente africano e do teatro de guerra europeu.
A instalação de bases começou em meados de junho de 1941, com a chegada da Força-Tarefa nº 3 e a liberação dos portos de Recife e Salvador para uso da Marinha americana. Durante 1942, os Estados Unidos instalaram bases aeronavais ao longo da costa Norte-Nordeste. A mais importante ficava em Parnamirim, perto de Natal, e era conhecida como “Trampolim da Vitória”. Ela teve papel relevante no esforço aliado antes do desembarque no norte da África, em novembro de 1942, durante a Operação Tocha.
Com a estabilização da frente italiana no fim de 1943 e o enfraquecimento da campanha submarina alemã, as bases americanas em solo brasileiro foram progressivamente desativadas ao longo de 1944 e 1945. Em Fernando de Noronha, os americanos permaneceram até 1960.
Quais foram as perdas da Marinha?
Entre as embarcações de guerra, a Marinha brasileira teve uma perda por ataque inimigo: o navio-auxiliar Vital de Oliveira, torpedeado em 19 de julho de 1944, quando seguia para o Rio de Janeiro. Foi o último navio brasileiro torpedeado durante a guerra. Outros dois navios militares foram perdidos por causas diferentes: a corveta Camaquã virou devido ao mar grosso em 21 de julho de 1944, com 23 tripulantes mortos; e o cruzador Bahia explodiu acidentalmente e afundou em 4 de julho de 1945, matando 333 homens.
O Cabedelo e o Shangri-lá foram os dois casos sem sobreviventes. O Cabedelo desapareceu no Atlântico depois de zarpar dos Estados Unidos, em 14 de fevereiro de 1942, com 54 homens a bordo. A data do afundamento é controversa; uma hipótese atribui a perda ao submarino italiano Da Vinci, mas não há provas definitivas.
Perguntas frequentes
Quando o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália?
O Brasil declarou guerra em 21 de agosto de 1942, após os ataques e afundamentos de navios brasileiros.
Quantos navios brasileiros foram atacados na guerra?
Foram 35 navios atacados, dos quais 32 afundaram em águas do Atlântico, incluindo o Mediterrâneo, e do Índico.
Qual foi a base mais importante no Brasil?
A base de Parnamirim, perto de Natal, era a mais importante. Conhecida como “Trampolim da Vitória”, teve papel relevante no esforço aliado antes do desembarque no norte da África, em novembro de 1942.
Informações conferidas em 7 de novembro de 2026.
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