O acordo de transferência de tecnologia da França para o Brasil foi firmado em 2008. O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) prevê a produção de quatro submarinos convencionais e um submarino nuclear em um novo estaleiro e base naval em Itaguaí, no Rio de Janeiro, para serviço na Marinha do Brasil.
Os submarinos convencionais formam a classe Riachuelo, baseada na classe Scorpène francesa. O submarino nuclear, chamado Álvaro Alberto, será uma versão maior dos Riachuelo e terá armamento convencional, não nuclear.
O que é o Prosub e quem participa?
A tecnologia do programa envolve o estaleiro francês DCNS, atualmente Naval Group, e sócios da indústria brasileira. Os contratos assinados em 2009 somavam 6,7 bilhões de euros.
O reator nuclear não faz parte do Prosub: ele será provido pelo Programa Nuclear da Marinha (PNM), um programa distinto, mas necessário ao submarino nuclear. O PNM começou em 1979, é administrado separadamente e não trata da construção de submarinos.
Quais submarinos o programa prevê?
- Quatro submarinos convencionais: Eles formam a classe Riachuelo, baseada na classe Scorpène francesa.
- Um submarino nuclear: Chama-se Álvaro Alberto e é uma versão maior dos Riachuelo, com armamento convencional.
A Marinha do Brasil também usa a expressão “submarino convencional de propulsão nuclear” (SCNA) para se referir à embarcação. A denominação busca ressaltar que o armamento não será nuclear, mas pode causar confusão no exterior, onde “submarino convencional” é sinônimo de submarino diesel-elétrico.
Por que o Brasil quer um submarino nuclear?
A justificativa oficial é a necessidade de uma embarcação de grande autonomia e poder dissuasório para defender recursos distantes da chamada Amazônia Azul, sem apontar um inimigo específico. O programa também gera empregos e induz um arrasto tecnológico para a economia civil.
Especialistas em defesa discutem se os benefícios compensam a despesa e questionam até que ponto a justificativa oficial corresponde ao objetivo real. A Guerra das Malvinas, em 1982, é um exemplo recorrente nos argumentos favoráveis à obtenção de submarinos nucleares pelo Brasil.
A Estratégia Nacional de Defesa de 2008 propôs um reaparelhamento naval concentrado na negação do uso do mar e considerou necessária uma “força submarina de envergadura”.
Quais são as diferenças entre a propulsão nuclear e a convencional?
Submarinos convencionais diesel-elétricos usam motores a diesel para carregar baterias, que alimentam motores elétricos. Para renovar o ar e carregar as baterias, precisam se aproximar periodicamente da superfície; o uso de um esnórquel permite admitir ar atmosférico, mas expõe o mastro à detecção visual, acústica e por radar.
A propulsão nuclear não depende do ar e pode proporcionar maior autonomia e velocidade por períodos mais extensos. O raio de ação e o tempo de operação ficam limitados pela resistência da tripulação, pelos suprimentos e por avarias. O submarino nuclear também é maior, com mais espaço para armas e mantimentos e casco reforçado para imersões a maiores profundidades.
Quando os submarinos entram em serviço?
Três submarinos convencionais já haviam sido comissionados pela Esquadra, e outro estava em preparação. Os cronogramas sofrem atrasos desde a crise econômica de 2014.
O submarino nuclear, originalmente prometido para cerca de 2020, tem previsão de entrar em serviço somente ao final dos anos 2030. Ainda há desafios técnicos a superar.
O planejamento naval de 2009 previa seis submarinos nucleares e quinze convencionais, mas não houve encomendas adicionais desde então.
Como o programa chegou até aqui?
A base naval de Itaguaí já entrou em operação e recebeu, em 2021, a sede do Comando da Força de Submarinos. O programa também foi alvo de investigações de corrupção relacionadas ao sócio brasileiro da DCNS, a Odebrecht; essa informação não significa, por si só, que tenha havido condenação ou comprovação de irregularidade.
Antes do Prosub, as primeiras propostas de construção de submersíveis datam do final do século XIX e do início do século XX. A Flotilha de Submersíveis, precursora da atual Força de Submarinos, foi ativada em 17 de julho de 1914, com submarinos construídos na Itália.
Perguntas frequentes
O que é o Prosub?
É um acordo de transferência de tecnologia da França para o Brasil, firmado em 2008, que prevê quatro submarinos convencionais e um nuclear em Itaguaí, no Rio de Janeiro.
O submarino nuclear terá armas nucleares?
Não. O armamento será convencional; a Marinha também o chama de submarino convencional de propulsão nuclear.
Quem fornece o reator nuclear?
O reator não integra o Prosub e será provido pelo Programa Nuclear da Marinha, que é distinto, mas necessário ao projeto.
Quando o submarino nuclear deve entrar em serviço?
A entrada em serviço está prevista para o final dos anos 2030. A promessa original era para cerca de 2020.
Informações conferidas em 6 de novembro de 2026.
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