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Revolta da Chibata: marinheiros se rebelaram contra castigos físicos em 1910

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Em resumo

  • Entre 22 e 26 de novembro de 1910, marinheiros tomaram navios de guerra no Rio de Janeiro e exigiram o fim das chibatadas.
  • O Congresso aprovou anistia e o fim do castigo corporal, mas muitos participantes sofreram punições depois.
  • O episódio foi um dos primeiros grandes protestos contra o governo republicano e contribuiu para impulsionar a Reforma Militar de 1911, que melhorou as condições de vida e de trabalho nas forças armadas.
Brazilian Army Parade
Foto: Brazilian Army Parade / Wikimedia Commons · CC BY 3.0 br · imagem ilustrativa

Entre 22 e 26 de novembro de 1910, marinheiros e suboficiais da Marinha do Brasil se rebelaram no Rio de Janeiro. A mobilização, inicialmente chamada de Revolta dos Dreadnoughts, contestou as condições de vida e de trabalho na força, com destaque para o uso de chibatadas por oficiais navais brancos contra marinheiros afro-brasileiros.

O episódio foi um dos primeiros grandes protestos contra o governo republicano e contribuiu para impulsionar a Reforma Militar de 1911, que melhorou as condições de vida e de trabalho nas forças armadas.

  1. 1824A Constituição Imperial proíbe castigos corporais para a população livre
  2. 1874A proibição do castigo corporal passa a valer também no Exército
  3. maio de 1888Abolição da escravidão com a Lei Áurea
  4. novembro de 1889A Marinha proíbe castigos corporais; a medida é revogada menos de um ano depois
  5. 22 a 26 de novembro de 1910Revolta da Chibata
  6. 1911Reforma Militar

Fonte: Revolta da Chibata (Wikipédia)

Por que os marinheiros se rebelaram?

A modernização dos navios não foi acompanhada por mudanças nas relações dentro da Marinha. Oficiais brancos de elite comandavam tripulações formadas em grande parte por homens negros; muitos estavam ligados à corporação por contratos de longo prazo. Castigos físicos eram aplicados até por faltas menores.

O castigo corporal já havia sido proibido para a população livre pela Constituição Imperial de 1824 e no Exército desde 1874. A Marinha proibiu a prática em novembro de 1889, mas a medida foi revogada menos de um ano depois, em meio ao descumprimento generalizado. As punições previstas incluíam prisão a ferro na solitária, a pão e água, por um a cinco dias, e pelo menos vinte e cinco chibatadas para faltas graves. Os castigos podiam chegar a trezentas chibatadas ou mais.

O historiador José Murilo de Carvalho afirmou que a “chibata era quase uma consequência necessária da diferença existente entre o recrutamento de praças e oficiais”.

Como ocorreu o motim?

  1. Tripulantes do encouraçado Minas Geraes começaram a preparar uma revolta anos antes de 1910, segundo João Cândido, que viria a liderar o movimento. Alguns marinheiros formaram um comitê e se reuniam em segredo no Rio de Janeiro.
  2. Parte dos tripulantes foi enviada a Newcastle, no Reino Unido, para treinamento ligado à operação dos novos navios. Na cidade, recebiam o pagamento em dia e enfrentavam relativamente pouco racismo.
  3. Os revoltosos assumiram o controle dos dois novos encouraçados, de um cruzador e de um navio de guerra mais antigo. Com esses navios, dispunham de poder de fogo superior ao restante da Marinha brasileira.
  4. Sob a liderança de João Cândido Felisberto, os marinheiros enviaram uma carta ao governo e exigiram o fim do que chamavam de “escravidão” na Marinha.

A alta oficialidade discutiu retomar ou afundar os navios rebelados. A desconfiança em relação aos marinheiros e problemas de equipamento dificultavam essas ações; historiadores também questionaram se teriam chances de sucesso.

Qual foi o desfecho?

O Congresso, liderado pelo senador Rui Barbosa, buscou uma solução por meio da anistia e indicou um ex-capitão da Marinha para fazer contato com os rebeldes. O Parlamento aprovou por ampla margem um projeto que concedia anistia aos envolvidos e encerrava o uso de castigos corporais na Marinha.

A anistia, porém, não impediu novas punições. Muitos marinheiros foram dispensados da corporação. Após uma segunda rebelião, motivada por medidas punitivas contrárias à anistia, participantes do primeiro motim foram presos, mortos ou enviados a campos de trabalho em plantações de borracha no norte do país. Durante a viagem para essa região, marinheiros presos foram fuzilados e lançados ao mar.

Quem eram os marinheiros?

Muitos dos recrutados eram jovens negros e pobres; alguns eram órfãos, e parte havia cometido ou era suspeita de cometer crimes. Eles eram enviados à Marinha como aprendizes por volta dos 14 anos. Os recrutados à força serviam por doze anos; os voluntários, por nove.

João Cândido Felisberto foi aprendiz aos 13 anos e ingressou na Marinha aos 16. Um relatório ministerial de 1910 apontava os xadrezes da polícia como a principal origem do alistamento nas Escolas de Aprendizes.

Qual é a importância da revolta para a Marinha?

A revolta levou à aprovação do fim dos castigos corporais na Marinha, embora a anistia concedida aos participantes tenha sido desrespeitada. A Reforma Militar de 1911 melhorou as condições de vida e de trabalho nas forças armadas. O movimento também ficou marcado como um dos primeiros grandes protestos contra o governo republicano.

Perguntas frequentes

Quando ocorreu a Revolta da Chibata?

O motim aconteceu no Rio de Janeiro, de 22 a 26 de novembro de 1910.

Quem liderou a revolta?

João Cândido Felisberto liderou os marinheiros rebelados.

Por que o movimento ficou conhecido como Revolta da Chibata?

O motim foi uma reação ao uso de chibatadas contra marinheiros. No início, também era chamado de Revolta dos Dreadnoughts.

O castigo físico acabou na Marinha?

O projeto aprovado pelo Congresso encerrou o uso de castigos corporais. Ainda assim, a anistia aos revoltosos não foi respeitada e muitos marinheiros foram punidos depois do motim.

Informações conferidas em 8 de novembro de 2026.

Em números

Duração
4 dias
Marinheiros envolvidos
Entre 1 500 e 2 000
Líder
João Cândido Felisberto

Fonte: Revolta da Chibata (Wikipédia)

Fontes

  1. Revolta da Chibata (Wikipédia)

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