As fragatas classe Tamandaré foram planejadas para a Marinha do Brasil com base na família de navios MEKO. O projeto é desenvolvido pelo Ministério da Defesa e pelo consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) e pela Embraer Defesa & Segurança. O primeiro lote prevê quatro embarcações, com entregas programadas para o período entre 2024 e 2028.
A seguir, veja como o programa surgiu, como o projeto foi escolhido, o que se sabe sobre a construção no Brasil e a situação de cada navio. Também estão reunidas as capacidades previstas e as condições para que um segundo lote avance.
Por que o programa foi criado?
O programa Construção do Núcleo de Poder Naval foi criado em 2017 como parte da modernização da frota de superfície da Marinha. O objetivo é substituir as fragatas classe Niterói, em operação desde 1975, e as Type 22, adquiridas de segunda mão do Reino Unido na década de 1990.
A Marinha pretende empregar as fragatas na modernização da Esquadra e em tarefas como proteger o tráfego marítimo, controlar águas jurisdicionais e a plataforma continental e se contrapor a eventuais ameaças. Essas áreas formam a chamada Amazônia Azul, com mais de 4,5 milhões de km². Os navios também são destinados a missões de paz e de ajuda humanitária, em contribuição à diplomacia brasileira.
Como o projeto foi escolhido?
Empresas de dezessete países participaram do concurso aberto pelo Ministério da Defesa, com propostas de projetos e pacotes de compensação. A lista de participantes foi divulgada em 16 de maio de 2017.
Após mais de um ano de estudos da Direção de Gestão de Programas da Marinha (DGePM) e da Empresa de Gestão de Projetos Navais (EMGEPRON), quatro propostas foram anunciadas como finalistas em 15 de outubro de 2018:
- o consórcio Águas Azuis, com uma versão ampliada e rearmada da MEKO A-100 Light Frigate;
- o consórcio Damen-Saab Tamandaré, que apresentou a corveta classe Sigma;
- o grupo FLV, com o estaleiro Fincantieri, a Leonardo e a Vard Promar, que propôs uma versão do projeto próprio da EMGEPRON;
- o consórcio Villegagnon, com Naval Group, Mectron e o estaleiro Enseada Indústria Naval, que apresentou a corveta classe Gowind.
O consórcio Águas Azuis, liderado pela TKMS, venceu o processo, com uma proposta baseada na MEKO A-100 e de 3,5 mil toneladas. O resultado foi divulgado em 28 de março de 2019. Em abril daquele ano, o projeto passou a ser chamado de fragata, em vez de corveta.
A proposta vencedora ampliou o projeto original de 2 mil para 3,5 mil toneladas, aumentou o comprimento e incluiu o radar Hensoldt TRS-4D AESA. A construção modular e as semelhanças com a fragata MEKO A-200 também estão entre as características consideradas na escolha. A Atech, empresa do Grupo Embraer, ficou responsável pelo sistema de gerenciamento de combate (CMS) e pelo sistema integrado de gerenciamento da plataforma (IPMS). A comunalidade de requisitos também está ligada ao plano da Marinha de construir destróieres de 7 mil toneladas após a entrega das fragatas.
Qual é o valor do programa?
O contrato para a construção das quatro unidades foi formalizado em 5 de março de 2020, por R$ 9,1 bilhões. O valor foi reajustado para R$ 9,56 bilhões em 22 de janeiro de 2021 e, após outras alterações, chegou a R$ 11,1 bilhões.
Nos requisitos do programa, a faixa de preço unitário fica entre € 400 milhões e € 500 milhões.
Onde os navios são construídos?
As exigências do projeto determinavam que os quatro navios fossem construídos no Brasil e que houvesse transferência de 100% da tecnologia do projeto para a Marinha. Em janeiro de 2021, a TKMS confirmou a compra do estaleiro Oceana, em Itajaí, com o objetivo de construir as fragatas. Essa unidade é o primeiro estaleiro da empresa na América Latina, e ela passou a se chamar thyssenkrupp Estaleiro Brasil Sul.
Com o início da construção da F203, as quatro primeiras embarcações passaram a ser produzidas simultaneamente em território brasileiro, atingindo o auge da produção inicialmente previsto para o programa.
Em que etapa está cada fragata?
As datas de construção e lançamento ajudam a acompanhar o primeiro lote. O corte da chapa usada no casco da Tamandaré (F200) ocorreu em 4 de setembro de 2022, o batimento de quilha em 24 de março de 2023 e o lançamento ao mar em 4 de agosto de 2024.
Em 2026, o navio estava na fase final de testes, e sua incorporação à Marinha era esperada para o início daquele ano.
A construção da Jerônimo de Albuquerque (F201) começou com o corte de chapa em 1º de novembro de 2023. O batimento de quilha ocorreu em 6 de julho de 2024, e o navio foi lançado ao mar em Itajaí em 10 de agosto de 2025. Em 2026, ele estava na fase final de construção.
Para a Cunha Moreira (F202), o corte de chapa ocorreu em 13 de novembro de 2024, o batimento de quilha em 5 de junho de 2025 e o lançamento em 27 de junho de 2026. A incorporação está prevista para 2028.
O corte da primeira chapa da Mariz e Barros (F203), em 9 de janeiro de 2026, marcou o começo da construção da quarta e última fragata do primeiro lote.
Quais capacidades estão previstas?
A relação de equipamentos da classe inclui armamentos, sensores e sistemas de controle. Os equipamentos previstos são:
- 12 mísseis CAMM Sea Ceptor e 8 mísseis MANSUP;
- um canhão de 76 mm, um sistema CIWS de 30 mm e duas estações RCWS de 12,7 mm;
- seis tubos de torpedo de 324 mm;
- radar multifunção Hensoldt, radar de navegação Anschütz e radar de rastreamento Thales;
- sistema de controle Safran e sonar Atlas.
21B ou um Eurocopter EC725. A ampliação da proposta para 3,5 mil toneladas e a inclusão do radar Hensoldt TRS-4D AESA estão entre as características do projeto escolhido.
O segundo lote já está definido?
Em 20 de abril de 2026, Brasil e Alemanha assinaram uma Carta de Intenções para fortalecer a cooperação industrial relacionada ao programa. O documento formalizou apoio político às negociações sobre um possível segundo lote de quatro fragatas, que seria produzido no Brasil pela Sociedade de Propósito Específico Águas Azuis, com participação significativa da TKMS.
A Carta de Intenções, também chamada de Memorando de Entendimento (MoU), não é um contrato nem cria obrigações legais para as partes. A realização do segundo lote ainda depende do andamento das negociações comerciais, da definição de recursos orçamentários e da assinatura de contratos específicos.
A continuidade do programa pode trazer benefícios para as indústrias de defesa brasileira e alemã, como fabricação nacional, fornecimento de sistemas e armamentos, apoio logístico, treinamento e manutenção. Também é uma forma de manter a cadeia produtiva criada para o primeiro lote e preservar empregos especializados.
Perguntas frequentes
Quantas fragatas estão no primeiro lote?
São quatro unidades: Tamandaré (F200), Jerônimo de Albuquerque (F201), Cunha Moreira (F202) e Mariz e Barros (F203).
O segundo lote já foi contratado?
Não. A Carta de Intenções de 20 de abril de 2026 não é um contrato. A possível construção de outras quatro fragatas depende de negociações, recursos orçamentários e contratos específicos.
Onde as fragatas do primeiro lote são construídas?
Os navios são construídos no Brasil, no estaleiro da TKMS em Itajaí, adquirido em janeiro de 2021.
Quais navios o programa pretende substituir?
O programa pretende substituir as fragatas classe Niterói, em operação desde 1975, e as Type 22 adquiridas de segunda mão do Reino Unido na década de 1990.
Informações conferidas em 6 de novembro de 2026.
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