O SN Álvaro Alberto, identificado também como SN-10, é um projeto da Marinha do Brasil para construir um submarino de ataque com propulsão nuclear. A Itaguaí Construções Navais (ICN) é responsável pelo projeto, que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub).
O programa está ligado à parceria estratégica entre Brasil e França, firmada em 2009. O acordo incluiu transferência de tecnologia e apoio à construção de quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo, derivados da Classe Scorpène.
O nome homenageia Álvaro Alberto da Mota e Silva, vice-almirante e cientista da Marinha. Ele foi responsável pela implantação do Programa Nuclear Brasileiro e presidiu o Comitê de Energia Atômica das Nações Unidas entre 1946 e 1947. Também esteve à frente da Academia Brasileira de Ciências em dois períodos: de 1935 a 1937 e de 1949 a 1951.
O que caracteriza a propulsão nuclear?
Na comparação, submarinos de ataque com propulsão nuclear, chamados SSN, podem alcançar maior velocidade e permanecer submersos por mais tempo do que os submarinos convencionais, ou SSK. Eles podem passar meses sem reabastecimento e não precisam subir periodicamente à superfície, o que evita comprometer a furtividade.
Um SSN pode desempenhar diferentes funções: recolher informações, transportar equipes de forças especiais para inserção ou retirada e realizar tarefas de caça e ataque. Um papel de destaque é a possibilidade de lançar mísseis de cruzeiro, capacidade que aproxima esse tipo de embarcação dos submarinos classificados como SSGN.
Por que a Marinha prevê esse tipo de submarino?
O programa de modernização da Marinha prevê desenvolver e construir seis submarinos SSN. A iniciativa está associada à dissuasão estratégica: na doutrina brasileira, a defesa nacional busca criar capacidade de resposta diante de uma força hostil ao território terrestre ou marítimo do país.
Com uma futura frota nuclear, ao menos algumas armas poderiam sobreviver a um primeiro ataque, nuclear ou não, e impedir novas tentativas de agressão. Outra razão é proteger os recursos naturais da Amazônia Azul, expressão associada à zona econômica exclusiva e à plataforma continental brasileiras.
Propulsão nuclear significa armas nucleares?
Não necessariamente. O Brasil mantém uma política de não possuir armas nucleares desde a década de 1990 e optou pelo desenvolvimento de submarinos nucleares. Especialistas do Laboratório Nacional de Los Alamos concluíram que o Brasil teria capacidade tecnológica para desenvolver armas caso essa política mudasse. Essa avaliação é uma possibilidade condicionada a uma mudança de política, não uma indicação de que o submarino será armado com armas nucleares.
Como começou o programa?
As decisões iniciais sobre o submarino nuclear foram tomadas entre 1976 e 1978. O plano envolvia três frentes: dominar o ciclo do combustível nuclear, desenvolver um reator para uso naval e adquirir conhecimento para projetar e construir um casco capaz de acomodá-lo. Essas frentes são chamadas, respectivamente, de projetos Ciclone, Remo e Costado.
O trabalho sobre o ciclo do combustível começou em 1979, quando a Marinha passou a atuar junto ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares de São Paulo (IPEN-SP). Em 1982, o programa adotou a ultracentrifugação para o enriquecimento em Poços de Caldas, Minas Gerais. No mesmo ano, pesquisadores realizaram enriquecimento isotópico de urânio usando centrífugas construídas no Brasil.
Para apoiar os experimentos sobre combustível e reatores, foi construído o Centro Experimental Aramar, no estado de São Paulo. O local reúne instalações de testes e laboratórios de validação, além de realizar enriquecimento de urânio em pequena escala industrial. Após aproximadamente vinte anos de trabalho, o país adquiriu o ciclo do combustível nuclear e pôde iniciar a construção do reator naval.
Em 2014, foi concluído em terra, no Centro Experimental Aramar, o primeiro reator naval de testes. A iniciativa está ligada à validação de processos tecnológicos, industriais e operacionais ligados ao uso de energia nuclear na propulsão de embarcações.
Por que o país desenvolveu submarinos convencionais antes?
No começo do programa, em 1979, a Marinha ainda não dominava a construção de cascos de submarino. Uma das etapas anteriores ao projeto nuclear foi obter embarcações modernas que pudessem ser construídas no Brasil. Nesse contexto, estão os submarinos alemães Tipo 209, que no país formaram a Classe Tupi. Foram assinados contratos em 1982 para construir cinco unidades, quatro delas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.
Mais tarde, em 2009, o Brasil adquiriu da França quatro submarinos convencionais ampliados da Classe Scorpène, em um acordo que previa transferência de tecnologia. O primeiro da classe construído no país, o S Riachuelo, foi lançado em 14 de dezembro de 2018.
A base de Itaguaí, no Rio de Janeiro, é local de desenvolvimento e fabricação de submarinos. Entre 2010 e 2012, engenheiros, oficiais e funcionários civis receberam treinamento da DCNS, em Cherbourg. Em 2018, mais de quatrocentos engenheiros brasileiros integravam a equipe do projeto nuclear, formada originalmente a partir do grupo treinado na França.
Em que etapa está o Álvaro Alberto?
O desenvolvimento é dividido em fases. A Fase A, dedicada à concepção e aos estudos de exequibilidade, começou em julho de 2012 e foi concluída em julho de 2013. Em agosto daquele ano começou a Fase B, de projeto preliminar, encerrada em janeiro de 2017. As duas etapas foram finalizadas com sucesso.
Com o encerramento da Fase B, foi possível elaborar contratos para aquisição do Pacote de Materiais e para a construção do SN-BR, além de estabelecer condições para estimar o custo global do submarino. A Fase C é chamada de Projeto de Detalhamento e é a última etapa antes do início da construção.
Quais características estão previstas?
O Álvaro Alberto terá 100 metros de comprimento e deslocamento de 6 mil toneladas. O casco terá boca de 9,8 metros para acomodar um reator nuclear de água pressurizada. A propulsão é totalmente elétrica, com potência de 48 megawatts, equivalente a 64 mil cavalos-vapor.
O projeto prevê seis tubos de torpedo de 533 milímetros. O desenho do Álvaro Alberto é comparado ao do submarino convencional da Classe Scorpène, embora a propulsão seja diferente.
Perguntas frequentes
O submarino terá armas nucleares?
O Brasil mantém uma política de não possuir armas nucleares desde a década de 1990 e optou pelo desenvolvimento de uma frota de submarinos nucleares. Não há indicação de que o SN Álvaro Alberto será equipado com armas nucleares.
Quantos submarinos nucleares estão previstos?
O programa de modernização da Marinha prevê o desenvolvimento e a construção de seis submarinos SSN.
Quem é responsável pelo projeto?
A Itaguaí Construções Navais (ICN) é responsável pelo SN Álvaro Alberto.
Qual é a diferença apontada entre SSN e SSK?
O submarino nuclear tem maior velocidade e autonomia mais longa, podendo passar meses sem reabastecimento e sem precisar emergir periodicamente.
Quando o submarino ficará pronto?
Informações conferidas em 6 de novembro de 2026.
Este texto foi produzido com apoio de inteligência artificial a partir das fontes acima e revisado segundo a nossa política editorial. Encontrou um erro? Peça uma correção.