O governo cubano considera real o risco de uma invasão da ilha pelos Estados Unidos, afirmou o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, em entrevista à Agência Brasil. Segundo o diplomata, o governo e a população do país se preparam para a possibilidade de uma agressão militar. Ele também disse que Havana pede à comunidade e à imprensa internacionais que não tratem uma invasão como algo aceitável.

Palomo afirmou que a maioria dos cubanos defende a soberania do país e, na avaliação dele, resistiria a uma intervenção estrangeira. O embaixador classificou como “ridículas” as acusações dos EUA de que Cuba representa uma ameaça. Para sustentar sua posição, argumentou que a ilha, submetida ao bloqueio econômico, não teria capacidade de colocar em risco os Estados Unidos. Também chamou uma eventual agressão de genocídio, justificando a afirmação com a diferença de poder entre os dois países.

Sanções e declarações citadas

De acordo com a Agência Brasil, desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, Washington ampliou a pressão sobre Havana. Entre as medidas mencionadas está um bloqueio energético, acompanhado de ameaças a países que vendam petróleo a Cuba. A reportagem afirma que a ilha passou três meses sem receber barris de petróleo e relaciona as medidas à redução de voos internacionais e à saída de empresas hoteleiras estrangeiras e da Visa, com efeitos sobre o turismo.

A reportagem também registra que, em janeiro, a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos. Em março, segundo o texto, Trump disse que teria a “honra de tomar Cuba”. Em setembro, o secretário de Estado Marco Rubio falou em promover um processo de mudança na ilha. Já em outubro, Trump afirmou que os EUA cuidariam de Cuba depois de lidar com o Irã, mas também declarou que talvez não fosse necessário recorrer às forças armadas.

O texto informa ainda que o Departamento de Estado adotou novas sanções contra empresas de tecnologias sensíveis ligadas a Cuba e que a Justiça dos EUA decretou a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro. A avaliação sobre o risco de invasão apresentada na reportagem é a do governo cubano e de seu embaixador; o texto não relata uma decisão dos Estados Unidos de iniciar uma operação militar.