A Brigada de Infantaria Paraquedista (Bda Inf Pqd) integra o Exército Brasileiro e tem sede no Rio de Janeiro. É subordinada ao Comando Militar do Leste, na mesma cidade, em conjunto com o Comando de Operações Terrestres, em Brasília. Suas forças-tarefa podem ser transportadas em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) para chegar a diferentes regiões do país. A unidade é composta por militares voluntários e mantém tradições e valores próprios.
Como a Brigada é organizada?
A estrutura reúne três batalhões de infantaria paraquedista e unidades de apoio. Entre seus componentes estão os precursores, considerados a elite da Brigada, a cavalaria paraquedista e o Batalhão de Dobragem, Manutenção de Paraquedas e Suprimento pelo Ar (B DOMPSA).
A Brigada é composta apenas por soldados voluntários, ao contrário da maioria das outras unidades do Exército, que recorrem ao serviço militar obrigatório para preencher suas fileiras. Os voluntários costumam vir das zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.
Como começou a formação paraquedista?
O primeiro salto de paraquedas a partir de uma aeronave militar em voo no Brasil ocorreu em 1922. A formação de uma tropa paraquedista do Exército ganhou impulso depois da Segunda Guerra Mundial. Em 1944, o capitão Roberto Pêssoa foi indicado para um curso de paraquedismo em Fort Benning, nos Estados Unidos. No ano seguinte, um decreto-lei determinou a criação da Escola de Paraquedistas.
Até 1948, outros 46 oficiais brasileiros fizeram o curso em Fort Benning. Conhecidos como pioneiros, eles se tornaram instrutores da Escola, cujas atividades começaram em 1949.
Como a organização e o nome evoluíram?
Em 1952, foi criado o Núcleo da Divisão Aeroterrestre, que passou a incluir a Escola de Paraquedistas. O plano era expandir o Núcleo até formar uma divisão completa, mas ele não chegou a ter efetivo equivalente ao de uma brigada. Em 1968, a unidade passou a se chamar Brigada Aeroterrestre; em 1971, adotou o nome Brigada Pára-Quedista. A denominação Brigada de Infantaria Paraquedista foi estabelecida em 1985, sem mudanças expressivas na organização.
Os paraquedistas também estiveram na origem de treinamentos de operações especiais, guerra na selva e guerra de montanha no Exército. As forças especiais passaram a ter curso próprio em 1957.º Batalhão de Forças Especiais integrou inicialmente a Brigada, mas atualmente pertence ao Comando de Operações Especiais, em Goiânia, onde também se pratica o paraquedismo militar.
Como a Brigada pode ser empregada?
A unidade integra a Força de Ação Rápida Estratégica do Exército, ao lado da infantaria aeromóvel e das tropas de operações especiais. As forças-tarefa podem ser transportadas por aeronaves ou lançadas de paraquedas. Na segunda modalidade, podem realizar um assalto aeroterrestre para criar uma cabeça de ponte aérea em território inimigo. O prazo de atuação indicado para as forças-tarefa é de até 24 ou 48 horas.
O transporte aéreo permite deslocamentos rápidos a regiões distantes, mas depende da participação da FAB. A capacidade de transporte é limitada e, em uma guerra, as aeronaves podem estar ocupadas com outras funções.
O Exército Brasileiro nunca realizou um assalto aeroterrestre em combate. Embora essa seja a característica mais evidente da Brigada, sua importância histórica está sobretudo na capacidade de reação rápida, que não depende de saltos de paraquedas.
Quais missões marcaram a trajetória da Brigada?
- Resgate na Amazônia e revoltas: paraquedistas participaram do resgate relacionado ao avião Presidente, que caiu na região amazônica em 1952. Também foram deslocados durante as revoltas de Aragarças, em 1956, e Jacareacanga, em 1959; não chegaram a entrar em combate nessas ocasiões.
- Campanha da Legalidade: em 1961, o Núcleo da Divisão Aeroterrestre serviu como reserva estratégica do ministro da Guerra Odílio Denys.
- Missões internacionais: a Brigada forneceu efetivos para a intervenção da Organização dos Estados Americanos na República Dominicana, em 1965, e para contingentes de paz das Nações Unidas.
- Guerrilha do Araguaia: integrantes da Brigada combateram a guerrilha entre 1972 e 1975. Na fase final da operação Marajoara, participaram 750 homens da Brigada e do Centro de Instrução de Guerra na Selva.
- º Batalhão de Forças Especiais, então integrante da Brigada, participou da ação contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, junto a helicópteros da Aviação do Exército.
- Garantia da lei e da ordem: entre 1992 e 2020, paraquedistas participaram de 40 das 138 operações desse tipo realizadas pelas Forças Armadas. A segurança de eleições foi a categoria mais numerosa. Entre as ações de maior dimensão estão a operação Arcanjo, em 2010, nos complexos do Alemão e da Penha, e a operação São Francisco, em 2014, na Maré.
Houve planos para transferir a sede?
Em 2010, foi considerado transferir a Brigada para Anápolis, Palmas ou o Triângulo Mineiro. A mudança aproximaria a unidade de áreas como a Amazônia e reduziria a interferência do tráfego aéreo do Rio de Janeiro. Não foi informado se o plano avançou.
Perguntas frequentes
A Brigada de Infantaria Paraquedista é uma tropa de elite?
Os paraquedistas são considerados tropa de elite do Exército. A Brigada reúne militares voluntários e tem componentes próprios, como os precursores.
Como é preenchida a Brigada?
A unidade é composta apenas por soldados voluntários. Eles costumam vir das zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense.
Em quanto tempo as forças-tarefa podem chegar ao destino?
O prazo de atuação indicado é de até 24 ou 48 horas. O deslocamento pode ser feito em aeronaves da FAB ou por lançamento de paraquedas.
O Exército já realizou um assalto aeroterrestre em combate?
Não. O Exército Brasileiro nunca realizou esse tipo de operação em combate.
Informações conferidas em 6 de novembro de 2026.
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